quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Tristezas

     É de facto triste. A visão que tanto recuso ter da humanidade em geral, e pior é a que tenho dos portugueses, também em geral. Felizmente encontro excepções.
     Todo o bom fim de semana contacto regularmente com um grupo alargado de portugueses, que julgo representarem muito bem o actual estado da comunidade. Grande parte são trabalhadores de classe média, outros tantos estudantes. O que é certo é que grande parte do tempo é gasto no café. Onde lhes basta pedir, ou noutros casos até, estalar os dedos e tudo o que pedem lhes é entregue na mesa.
     Resumindo: como eu só trabalho ao fim de semana, e é nesses dias que os encontro, deduzo que durante a semana alguns também lá passem. Ora, tendo em conta que devem dormir oito horas por dia, outras oito trabalham, juntando o tempo para se alimentarem e irem à wc e o tempo que tenho certeza que passam no café mais uma estimativa correspondente ao tempo que presumo que gastem nos dias em que não estou lá, dá um total de 118 horas. Tendo em conta que sete dias perfazem um total de 168 horas é fácil concluir que estas pessoas possuem 50 horas efectivas disponíveis para desporto, ler um livro, se divertirem no verdadeiro sentido da palavra e para se preocuparem com o planeta. Por semana.
nota: não considerei tempo para compras, e deslocamento.

     É por esta razão que acredito que no que toca ao aquecimento global, já passámos o ponto de retorno. Pela simples razão que ninguém se mexe para cuidar de si, quanto mais para se preocupar com os outros, ainda nem nascidos. É óbvio que a população portuguesa não tem este habito em geral. Mas uma parte significativa tem. Por ideia, e atirando para o ar, diria que 20% tem.
Contando com idosos e crianças, optimisticamente, 50% tem uma vida minimamente interessante.
      Vendo por outro prisma, são 20% com sobrecarga nervosa causada pela cafeína em excesso, e com muito stress.

Trata-se de especulação da minha parte. No entanto, terei sido muito irrealista?!
Pensem nisso.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Alegrias.

     Interessantes, as alegrias, isto é. Estou capaz de dizer que oitenta por cento das pessoas classificam as alegrias como sendo momentos memoráveis e extremamente importantes, e de certeza mensuráveis. Tais como, o nascimento de um filho, o fim do curso, o casamento, por vezes até o divórcio... se é que me entendem!
Porém, se olharmos com mais atenção para estas alegrias, que o são sem dúvida, pois isso não se questiona. É fácil ver que acarretam responsabilidades, gasto de tempo e não são livres de imposto.
     Ora, pois eu e os meus neurões, achamos que as verdadeiras alegrias devem ser isentas de imposto e não devem acarretar - e peço desculpa pelo eufemismo - qualquer tipo de dano colateral.
     Deixando o raio da linguagem com-um-toque-de-jurídico empregada até então. Eu cá acho mesmo é que as melhores alegrias, e sem duvida as verdadeiras, são as mais pequenas. Sim, aquelas que por vezes pisamos, ou nas quais tropeçamos. Aquelas que os trolls, da terra das oportunidades, chamam: "The little joys of life".
     Talvez se perguntem pelo porquê de me ter dado para falar sobre isto. E a questão é mesmo essa, não existe um porquê. Não existe O porquê de se falar nas pequenas Alegrias, nem de as viver, saborear, observar, sentir, ouvir ou cheirar. São pequenas porque cabem na palma da mão, aliás cabem em qualquer sítio. E por assim serem, poucos sabem da sua existência, e muito menos lhes dão importância.
     No entanto, é importante salientar que o que para mim é uma dessas Alegrias, para vocês pode não ser. Eu delicio-me com o toque do vento na ponta do nariz, com o sabor da água do oceano - salgada sim, mas antes disso, marinha - também com o som que sai dos novos bicos, que se alojam na chaminé de ventilação da casa-de-banho, e eu oiço todas as manhãs de primavera, enquanto lavo os dentes. Também me delicio com a visão de uma certa carinha, doce e carinhosa.
     Eu acredito que só tenho esta vida, e o que eu ignorar não poderei recuperar. É assim que encaro o meu dia-a-dia, atento quanto possível, a todas as pequenas coisas e coisinhas que me fazem, e farão sorrir.
E nisto, lanço-vos um desafio: Saiam. Sigam sem rumo. A pé, de preferência, para poderem tropeçar em muitas coisinhas. Olhem com olhos de ver, não só de olhar. Cheirem e oiçam. No fim, façam o que vierem a fazer, com ou sem rumo, levem o caminho todo a absorver o que vos rodeia.

Valerá a pena, garanto! E com cem-por-cento de certeza, também vos garanto, que bom ou mau, não será um sonho. E lembrem-se... que as little joys of life são todos os lados positivos da vida.
Arriverdeci!

sábado, 26 de janeiro de 2008

21

     Era inverno, chovia e os trovões ribombavam. Relâmpagos iluminavam todos os recantos mais sombrios, de uma noite de tempos idos.
Uma noite normal, para muitos. Mas ao menos certeza tenho, que para uma pessoa muito especial, também especial foi essa noite.
     Segundo consta, havia já dez minutos que as dez badaladas haviam ressoado, quando se fez silêncio nessa noite. Silêncio esse que eu quebrei. Não com uma piada ou gargalhada, mas sim... com um estridente, e no entanto, melódico choro. Havia nascido aquele que vos escreve hoje. Hoje, dia vinte-seis de Janeiro de 2008, vinte-e-um anos após essa noite, que aqui descrevo. Pois assim reza a história contada, com alegria, pela minha heroína. Minha heroína e minha mamã.
     Vinte e um anos de luta, vitoriosa. Como é bom olhar para trás e sentir-me alguém.

Viva!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Kamikazé

     Devo dizer a todos os observadores deste mundo que a minha ausência se deve a uma incursão a outros reinos, passando pela realidade. Segue-se um desses episódios:

     Hoje, meia hora depois das nove, matutinas, badaladas, levantei-me para ir para a guerra. Sim, guerra! Estava sol e um espetacular céu de tons azuis sorridentes, pulvilhado com um pouco de branco açucar.
Sem medo, mal fardado e com a coragem debaixo do braço, fui para a guerra. Uma guerra de brincar, com canhões a sério e com direito a um forte militar. Mas com balas de tinta. Paintball, chamam-lhe.
Para mim, foi o realizar de um sonho, pois fazia anos que sonhava em ir para uma guerra de brincar, com dor real.
     Adorei! Apesar de todas as marcas que as balas deixaram para recordar. Sim, porque não fui com medo e receio. Fui e enfrentei os meus adversários sem dó nem piedade, como se fossem meus inimigos. E alguns, também não tiveram piedade de mim, louvados sejam. Pois é mesmo assim que tem que ser!
     No fim, saí de lá com companheiros de armas, e o desejo de voltar à guerra!
Quanto ao kamikazé... foi a alcunha com que me baptizaram. A imaginação dir-vos-á porquê, querida como ela é.

Foi brilhante este dia! Por agora, fica um até já. Todo o guerreiro precisa de descansar.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Dejá vu...

     São sete da manha. Madruguei! Já vestido e equipado, desço à realidade. Dirijo-me até ao café. Onde fim-de-semana sim, fim-de-semana sim, trabalho.
Cumprimento quem encontro, bebo café e piro-me. Passo apressado, estou atrasado. Phones nos ouvidos e balbuciando, ao ritmo, a letra do que escuto: Forfeit the game, before somebody else takes you out of the frame... - sigo pró bólide.
     A cidade mexe, no habitual caos matinal. Mas algo não bate certo. Tenho uma sensação de dejá vu. Avisto o quatro-rodas que é um. - 'tá algo no capot. Pronto... as linhas de alta tensão já fazem os seus estragos! Pobre pássaro! - Fora degolado. Olha-me de olhos abertos e bico escancarado. Na que foi a sua última expressão, de agonia e desespero, ao encontrar-se com a morte. Tiro-o para o chão, entro e sigo. Acelero para a faculdade. Vou depressa... tenho pressa! - Carros por todo o lado, que caos, hoje. - penso. Sinto um solavanco e dou uma guinada...
     Lembro-me daquela vez em que caí aos três anos. Aquele sorriso, não-colgate mas acolhedor, da minha irmã. A prenda especial que encontrei ao acordar naquele aniversário. O abraço aconchegado da minha mãe. A Daniela, a namorada especial, do secundário. A entrada para a faculdade. E a expressão daquele pássaro que... se transmorfa na minha cara, esborrachada no chão... de alcatrão.
- Porra, morri!

*beep... beep... beep...*
     Acordei, não era real. Era um sonho, ou antes, um pesadelo. Estou vivo e o sol brilha mais um dia. - Vou pró duche.
Sinto o correr da água na pele, está quentinha. Oiço o seu correr. - Caramba, este pareceu real... ainda bem que era só um sonho! Espero que demore a atravessar, do reino dos sonhos, para a realidade. Ainda tenho muito que quero fazer por aqui.
-
Isto é o mundo dos sonhos. E os pesadelos também são sonhos! Desagradáveis... mas sonhos à mesma. ;)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Inconformismo. Revolta. Sonhos.

     Eu tenho um sonho! - disse Martin Luther King.
Muitos de vós talvez digam que: todos temos os nossos sonhos. Mas por incrível que pareça há pessoas cuja situação não lhes permite sonhar. E correndo o risco de ser insensível, ou até egoísta, não é sobre elas que quero falar.
É sobre mim. Sobre um puto que sempre se agarrou ao pouco que tinha, sonhos!
Sonhos, a matéria deste reino. A única coisa que é unicamente minha e ninguém pode roubar! Tenho alguns, não muitos, mas vários.
     Ainda não conseguia eu abrir ambas as mãos, na totalidade, para dizer a minha idade. E já afirmava com uma força imponente, e dona de respeito: Eu vou ser engenheiro! - os olhos, embora verdes, brilhavam com um vermelho de fogo. Eram chamas! Chamas... de ambição. - E cá estou. Na universidade... a procrastinar. Ou melhor, a não mexer uma palha! A abrir mão de um sonho que ainda não conquistei.
Deixei de me mover pela ambição com a mesma intensidade. Ter-me-ei deixado corromper pela vida que levo?! Terei enfraquecido?! - Que me caia a lua em cima no dia em que isso acontecer!! - Não! Apenas tenho um ponto fraco que me deixa vulnerável. Que me desconcentra do meu objectivo, do meu sonho.
     Tenho mais sonhos, mais projectos. Como disse uma vez: Tenho um sonho feito de sonhos. - Sonho com o futuro, onde concretizarei muitos sonhos. O inconformismo genético de que sofro, gera uma revolta monumental em mim. É dessa revolta que a minha ambição se alimenta. Só assim realizo os meus sonhos, e os torno verdadeiramente reais! É esse o transporte que existe da onirocronia para o mundo real. Dos outros sonhos falaremos depois...

     Meus caros, tal como um grande senhor disse: "Falta de atitude revela falta de carácter!" - e eu, falta de carácter nunca tive. Consequentemente, também não me conformarei, resignarei ou limitarei a assistir à minha derrota. Pois são as escolhas que fazemos que fazem de nós o que somos. Esse senhor era Albert Einstein, e eu sou Zalyz, rei dos meus sonhos! E realizá-los-ei!! Essa é a minha escolha!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Doze, depois de um dia de trabalho...

Um domingo de trabalho, na corrente época, foi secante. Mas como as rosas nao tem espinhos sem ser no caule, acabou. Não acabou rápido, nem lentamente, apenas quando tinha que ser.
No entanto, ou não fosse eu um alentejano fiel aos meus gostos e princípios, cheguei a casa sem dar o dia por terminado, saí! Sim, saí marcava o relógio vinte magros minutos para a uma. Equipado de luvas e uma saca.

Para quê? - Perguntais vós.
Para aliviar o peso dos meus setenta-cavalos-sobre-rodas, banalmente chamado de carro nos dias que correm. E para ser preciso, alivei-lhe uma quantia, nao inferior, de cento-e-cinquenta kilograma.
De quê? - Perguntais vós.
Madeira. Simplesmente madeira. Valiosa para mim, e para poucos mais. Com a modernização que todos presenciamos é invulgar ir-se à procura de madeira, quanto mais comprá-la. E é mais facil aquecer a toca com um pedaço de ferro com rodas, que a aquecer parece uma fritadeira, do que manter a lareira, limpar, colocar a lenha, acender, cuidar do fogo para que nao se apague e por aí fora. O "aquecedor", como vulgarmente lhe chamam, nunca se apaga sozinho e mantem o aquecimento constante sem qualquer necessidade de atenção. Mas eu sou alentejano e gosto do fogo!
Porquê? - Perguntais vós.
Porque a simples madeira, já é quente. E mais, é acolhedora tanto à vista como ao toque! O metal é frio, insipido e estridente. Claro que só é estridente se lhe batermos com qualquer coisa, ele é inerte. Pois, quem gosta do barulho duma coisa sem vida?!
Pelo contrário, e assim como a madeira, o fogo tem vida! Vivem! E se estivermos atentos... conseguimos ouvir o gemer da madeira, vindo do seu bailado com o fogo. Aquilo a que chamamos fogueira: é um bailado, de dois amantes... ou nunca ouviram a expressão: "Acender o fogo da paixão?" - É preciso madeira!! Talvez tambem uma lareira.

E embora nao se perguntem... mas as doze, foram as vezes. As doze vezes que fiz a viagem entre a minha varanda e a bagageira. E caso não se tenham apercebido, eu gosto da madeira, e de um bom lume a crepitar na minha lareira.
Boa noite! =)